sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Palestra "Bíblia e Ensino"




A “Semana de Estudos Teológicos”, da Faculdade Teologia da Universidade Metodista de São Paulo, será realizada entre os dias 25 e 29 de outubro.



Eu fui convidado para dar uma das palestras no painel “Bíblia e Ensino”. Esta ocorrerá no dia 28, às 20h15. A sua participação será bem-vinda.



Para maiores informações: http://www.metodista.br/fateo



Graça, paz e bem!

sábado, 14 de agosto de 2010

Os Novos Evangélicos de nossa Época?


Eu tenho que dar o braço a torcer... adquiri a revista Época que tem como artigo principal “Os novos evangélicos”. Este assunto me chamou atenção porque faz parte dos meus estudos sociológicos sobre os cristianismos protestantes brasileiros, também como me toca porque sou pastor de uma igreja protestante.

É preciso parabenizar o jornalista Ricardo Alexandre pelo esforço de elaborar o artigo supradito em nove páginas, com fotos bonitas, quadro sintético da história do cristianismo, uma tipologia para fins comparativos e citações de pareceres do fragmentado corpo pastoral protestante nacional. Entretanto, o artigo de modo geral não acrescenta quase nada, antes cria uma verdadeira confusão na mente de quem é curioso, iniciante ou iniciado no “mundo evangélico brasileiro”.

O título do artigo “Os novos evangélicos” e a frase da capa “um movimento de fiéis critica o consumismo, a corrupção e os dogmas das igrejas – e propõe uma nova reforma protestante” são imprecisos. Talvez tenha sido feito assim propositalmente, isto é, com o intuito de vender e esclarecer a questão no decorrer do texto. Pois bem, o tal esclarecimento foi apenas o meu anseio e não o de quem redigiu o texto (que dá a impressão de ter sido escrito em dois ou três dias sob pressão). Como diria a minha avó: “isso aí é um balaio de gato”.

No meio deste artigo confuso algumas questões ficam sem respostas: Será que os novos evangélicos são aqueles influenciados pela teologia da prosperidade e confissão positiva (Renascer, Universal, Internacional da Graça, Mundial)? Ou são os protestantes dissidentes de igrejas mais antigas (Luterana, Presbiteriana, Batista, Anglicana, Metodista)? Ou são protestantes pentecostais brasileiros (Assembléia de Deus, Congregação Cristã no Brasil, o Brasil para Cristo)? Ou são ex-protestantes de igrejas pentecostais? Ou são os protestantes emergentes (emergiram de onde? por quê? para quê?)? Ou são os protestantes de igrejas antigas indignados com a realidade eclesial e eclesiástica?

De um lado há menção a um dissidente cristão com vistas à simplicidade espiritual e que tem raízes em alguma igreja antiga. Lê-se também uma crítica às religiosidades protestantes institucionalizadas, aos protestantes de direita e esquerda (se alguém conseguir explicar o significado destas posturas políticas hoje merecerá um prêmio). Junto a isso se censura o comércio religioso, o culto à personalidade, o misticismo e a corrupção de certos protestantismos. E há espaço para criticar o apego aos formatos enrijecidos dos protestantismos antigos e o liberalismo teológico. Em suma, abriu-se a porteira e os rebanhos saíram às pressas e berrando.

O circo encheu-se de esplendor quando se resolveu juntar vários representantes dos protestantismos brasileiros e dar-lhes voz. Olha que reunião interessante é feita no artigo... os pastores Augustus Nicodemus Lopes, Caio Fabio, Carlos Bezerra Jr., Ed Rene Kivitz, Geraldo Tenuta, Irani Rosique, João Flavio Martinez, Miguel Uchôa, Moris Cerullo, Ricardo Agreste, Ricardo Gondim, Ricardo Quadros Gouvêa, Robinson Cavalcanti, Silas Malafaia, Valter Ravara e o ex-religioso (Testemunha de Jeová) e grande sociólogo de gabinete Ricardo Mariano. Sobra crítica para todo mundo e ninguém ao mesmo tempo.

Vamos supor que eu tenha nove páginas para escrever, 95% de uma capa de revista para dar o destaque ao meu artigo, um destaque no índice da revista e a possibilidade de dizer algo interessante para uma população não-especializada em protestantismos. Uma sugestão para organizar as idéias é a seguinte:

1. Faça um breve histórico sobre o cristianismo inicial, o catolicismo, a reforma protestante (gaste umas linhas a mais sobre isso porque o seu foco é discorrer sobre os protestantismos contemporâneos), as principais igrejas formadas no período pós-reforma, a chegada dos protestantismos no Brasil, as igrejas protestantes brasileiras e suas divisões (suas ênfases teológicas e práticas), as transformações religiosas ocorridas no século XX, o aumento do número de fiéis protestantes segundo o senso de 2000, e o protestantismo contemporâneo.

2. Discorra a respeito das linhas teológicas protestantes ortodoxa, neortodoxa, liberal, neoliberal e alguma outra que tenha sido inventada. Procure pontuar quais destas prevalecem no Brasil.

3. Explane sobre o que se entende sobre formalismo, estrutura hierárquica rígida, dogmatismo, dentre outros aspectos citados no texto.

4. Explique as razões pelas quais alguns protestantes não aceitam que certos grupos se auto-intitulem evangélicos e façam uso do comércio religioso, do misticismo e da corrupção.

Estas propostas indicam que versar sobre “protestantismos” ou “evangélicos” é algo muito complexo e requer cuidados por parte daquele/a que se propõe a esta tarefa. Se o jornalista Alexandre tivesse este propósito, certamente o artigo seria esclarecedor aos/às leitores/as. Partir do pressuposto que as pessoas leitoras da revista já entendem o suficiente dos protestantismos brasileiros para compreenderem o artigo em questão é falso.

Por isso é importante ressaltar que a maneira com a qual se expôs a matéria no texto não contribui para o entendimento deste plural e multifacetado “grupo” religioso, apenas serve para validar interesses ideológicos e políticos que dão suporte para a construção do texto como fora feito. O mesmo poderia ser aplicado a algum artigo que destacasse a uniformidade do catolicismo se comparado aos protestantismos. Diversos pesquisadores das Ciências Sociais demonstram com seus trabalhos de campo e pesquisas que não há como pensar em catolicismo, mas catolicismos. É aparente a uniformidade católica. E como se descobre isso? Com pesquisa profunda.

Enfim, mais seriedade e sensibilidade são imprescindíveis para um trabalho digno de nota.

Graça, paz e bem!

Veja artigo da Revista Época na íntegra no blog  "Sobre fé e + um pouco" (http://sobrefeemaisumpouco.blogspot.com/2010/08/nova-reforma-protestante.html)

sábado, 24 de julho de 2010

A evangelização no coração do discípulo

Ganhei o dia! Deparei-me com um texto bíblico deveras impactante. Eu só peço a Deus que me ajude a ser um discípulo-evangelizador capaz de dizer e viver as palavras abaixo:

Se anuncio o Evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o Evangelho! Se o faço de livre vontade, tenho galardão; mas, se constrangido, é, então, a responsabilidade de despenseiro que está confiada. Nesse caso, qual é o meu galardão? É que, evangelizando, proponha, de graça, o Evangelho, para não me valer do direito que ele me dá. Porque, sendo livre de todos, fiz-me escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível. [I Coríntios 9,16-19]

Graça, paz e bem!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Educar para o Reino, educar para a Vida

A Bíblia é conhecida no meio cristão como Livro de Fé Instrutiva. Neste encontra-se formas de ensino, conteúdo e experiências que promulgam a libertação, a transformação e a restauração para um modo de ser mais sadio e concorde com o que Deus espera daqueles/as que o seguem. Educar para libertar e salvar é um ponto alto nos Textos Sagrados. Isto se exemplifica não apenas nos relatos escriturísticos, mas também em dois termos caros às Escrituras. No Primeiro Testamento encontra-se a expressão Torah, que significa Boa Instrução, e no Segundo Testamento o vocábulo Evangelion, traduzido por Boa Notícia.

Ao olhar para um sem número de textos bíblicos do Antigo e Novo Testamentos, observar-se-á uma grande preocupação por parte dos líderes religiosos em transmitir boas instruções como novidade de Deus  para a felicidade da população. Estes, valendo-se de métodos pedagógicos variados, procuravam educar as pessoas com muito afinco a respeito, dentre muitos assuntos, do modo como proceder em relação a Deus e aos/às semelhantes. Os “chefes” da religião, em sua maioria, estavam comprometidos com o Senhor da vida. Assim, instruíam o povo movidos por um só ideal, a saber, a promoção de uma existência salutar segundo os Valores Eternos.

No Brasil atual há também mulheres e homens com a incumbência de educar como os religiosos acima mencionados. Embora a contemporaneidade apresente muitas diferenças se comparada ao mundo bíblico, ainda hoje se percebe a necessidade de um bom ensino bíblico. Um problema claramente constatado é que uma parte das lideranças “cristãs” tem preferido assumir um discurso imediatista e utilitarista a educar as pessoas para procederem de um modo mais adequado à Boa Nova proposta nas Escrituras Sagradas.

Somente através de um Bom Ensino, sensível à vida de homens e mulheres, será possível, à luz da Palavra, proporcionar mudanças marcantes na Igreja, bem como nas outras áreas da sociedade hodierna.

Longe da censura ou do indiferentismo para com o assunto em tela, urge acordar, cair em si, e fazer com que a boa educação cristã se dê no mundo atual.

O comprometimento verdadeiro com Deus é corroborado na importância que se dá à educação permitindo ao ser humano tornar-se cada vez mais humano.

Que a Torah e o Evangelion façam toda a diferença.

Graça, paz e bem!


Obs.: as expressões "religião" e "religiosos" não são utilizadas neste texto em sentido pejorativo. Estas estão respaldadas no texto de Tiago 1,19-27.

sábado, 26 de junho de 2010

Maturidade cristã: I Co 12 a 14

Ao iniciar a caminhada cristã, o/a discípulo/a é ensinado/a sobre a necessidade de amadurecer na fé. A maturidade espiritual não se compra em nenhum tipo de loja de artigos religiosos. Ela é adquirida à medida que o/a cristão/ã se lança à comunhão com Deus. Neste relacionamento a pessoa adota uma vida contínua de oração, reflexão bíblica, avaliação dos pensamentos e comportamentos à luz da Palavra, culto ao Senhor, encontro com outros/as irmãos/ãs, partilha das experiências em comunidade e evangelização. Quanto mais o/a crente exercita todos estes aspectos, mais ele/a amadurece e é fortalecido/a. Uma vez agindo do modo descrito menos vulnerável ele/a ficará às quedas, às tentações, às situações difíceis e às pessoas que o/a afrontam. O Espírito Santo terá livre acesso ao seu coração e isto lhe trará um grande bem, ou seja, força, conforto, alegria, correção, estímulo, orientação e ajuda.

As considerações acima estão respaldadas em diversos textos bíblicos, no entanto podemos observá-las na afirmação de Paulo contida em I Coríntios 13,11: “Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino”. Em outras palavras, o apóstolo declara que no período vivido antes de encontrar-se e relacionar-se dia a dia com Jesus sua existência foi imatura. A forma com a qual lidava com Deus, com as Sagradas Escrituras, com as pessoas e consigo mesmo estava errada. O erro estava justamente no fato de não conhecer ao Pai com profundidade, o Cristo como Senhor e Salvador, e o Espírito Santo como ajudador e consolador.

Paulo adentrou ao processo da maturidade quando percebeu que se ele não buscasse cotidianamente a comunhão com Deus ficaria desprotegido, enredado pelos pecados, inconstante, orgulhoso, entre outras coisas ruins. Portanto, o/a maduro/a na vida cristã é quem não se cansa de buscar ao Senhor e de permitir-se transformar pelo Evangelho. À semelhança do que o apóstolo experimentou a comunidade de discípulos/as em Corinto também precisava experimentar. E para caminhar assim só é possível com humildade, desprendimento e perseverança. Todo cristão/ã deve entrar neste estágio, nele permanecer e progredir diariamente. Paulo estava inconformado com os/as irmãos/ãs que conheceram a Cristo, mas continuavam na imaturidade. Uma vez que ele não se conformava com aquela situação, Deus o toca estimulando-o a orientar e exortar a Igreja em Corinto sobre o modo como se deve pensar, falar, agir e vivenciar a fé.

Agora responda com sinceridade: Em qual estágio da vida cristã você está? Na imaturidade? Ou na maturidade?

Reflita sobre isso e converse com o Senhor em oração.

Que Deus o/a ajude e abençoe.

Graça, paz e bem!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

3º Aniversário do Blog


As atividades deste blog foram iniciadas no dia 24 de maio de 2007.


Durante estes três anos muitas coisas aconteceram. Destaco o meu próprio amadurecimento como cristão e “blogueiro”.

Aproveito a oportunidade para agradecer a todos/as que por aqui passaram, leram, refletiram, comentaram e discordaram.

Espero continuar contribuindo com a reflexão cristã e, assim, honrar a Deus, edificar os/as leitores/as e satisfazer-me.

Graça, paz e bem!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Getro (1938-2010) - tio, pastor e humorista

Um pai cuidadoso...

Um pastor consagrado...

Um mestre na arte do humor...

O meu Tio Getro foi um destes homens valorosos cujo texto de II Tm 4,7 lhe cai muito bem: "Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé." Ele nasceu na cidade de Ourinhos (SP), no dia 27 de setembro de 1938. E hoje, 17 de maio de 2010, na cidade de Nova Andradina (MS), dorme no Senhor. Dos seus quase 72 anos de vida, 47 anos foram dedicados ao pastorado na Igreja Metodista. Hoje a Cidade Sorriso, Nova Andradina, chora por um dos homens que mais fez com que ela sorrisse.

Deixo o meu carinho especial para os membros da família que mais estão sentindo nesta hora: Mirian (minha mãe e irmã do Getro), Tia Elza (esposa), Haldo (filho do Getro), Eni (esposa do Haldo) e os netos do meu tio: Guilherme, Hemilly e Handrei (filhos do Haldo e da Eni).

Que Deus console nossa família.

Que Deus abençoe todo o povo metodista.

Que Deus ajude com que sejamos fervorosos e bem humorados no anúncio e vivência do Evangelho, tal como o meu Tio Getro foi.

Graça, paz e bem!