sexta-feira, 16 de maio de 2008

Não vá mais à "igreja"

Em Atos 9,31 está escrito: A Igreja, na verdade, tinha paz por toda a Judéia, Galiléia e Samaria, edificando-se e caminhando no temor do Senhor, e, no conforto do Espírito Santo, crescia em número. Inspirando-me neste belíssimo relato bíblico a respeito do modo de ser e estar da primeira Igreja eu escrevo àquele/a que não vai mais à “igreja”...

É muito bom que você não vá mais à “igreja”. Quando se têm um encontro profundo e verdadeiro com Jesus Cristo o/a cristão/ã não vai mais à um espaço “sagrado” para desfrutar de serviços religiosos, mas sim se reúne com outros/as discípulos/as de Cristo para adorar e louvar a Deus, para desfrutar de um encontro fraternal em torno do Evangelho, para compartilhar experiências com o Espírito Santo e para alimentar-se com a Palavra. Aqueles/as que caminham na perspectiva do Reino não vão mais à “igreja” porque eles/as não se deixam conduzir pela idéia de que há um lugar obrigatório para freqüentar. O/A discípulo/a, por conseguinte, sente a necessidade e o prazer de estar junto com outros/as irmãos/ãs e com eles/as se encontra e confraterniza-se amorosa e alegremente. Ele/Ela deixa de ir à “igreja” e, em unidade com outras pessoas cristãs, torna-se Igreja.

Quem vive a Igreja sabe que é imprescindível se reunir para prestar culto. Quem vive a Igreja não cai na cilada individualista de quem vai à “igreja” assistir cultos. Quem vive a Igreja aprende a conviver e a compartilhar ao invés de ir à “igreja” para mandar e reivindicar. Quem vive a Igreja se dispõe a aprender-e-ensinar rejeitando, assim, as práticas vangloriosas e arrogantes de quem vai à “igreja” como um/uma “sabe-tudo”, fofoqueiro/a, preconceituoso/a, encrenqueiro/a e “barraqueiro”. Quem vive a Igreja tem a oportunidade de exercitar o ouvir respeitoso e solidário e o falar humilde e delicado. Quem vive a Igreja tem o privilégio de amar-e-receber-amor. Quem vive a Igreja tem a honra de abençoar os/as demais irmãos/ãs valendo-se dos dons e talentos que o Senhor gratuitamente lhe concedeu. Quem vive a Igreja reconhece seus limites, erros e inconseqüências transformando-se num ser humano que se dispõe a ser suporte para aqueles/as que, também, anelam por superar os seus limites, erros e inconseqüências.

Quem vive a Igreja contempla o manifestar do Espírito Santo e Dele recebe o poder para fielmente servir a Deus e aos/às semelhantes. Quem vive a Igreja tem a grata e ardente satisfação de apresentar o Senhor da Igreja aos seus familiares, amigos/as, conhecidos/as e desconhecidos/as. Em suma, quem vive a Igreja tem paz, edifica-se, caminha no temor do Senhor, recebe conforto do Espírito, semeia o Evangelho e cresce em número. Por isso, a minha oração é para que Deus liberte milagrosamente homens/mulheres enclausurados/as pelo dever de ir à “igreja” e, em nome de Jesus, vivam comunitariamente a Igreja na força do Espírito.

Graça, paz e bem!

7 comentários:

bete p.silva disse...

Concordo e muito com você. Eu mesma não vou mais “à igreja”, porque a Igreja como eu conhecia deixou de existir, existe lá apenas um templo de tijolos e bancos, ou a “igreja” como você fala. Irmãos? Amigos? Nunca mais os vi, embora tenha insistido, e muito, em não deixar essa chama se apagar,tenho plena consciência, em Cristo, de que fiz a minha parte.

Os metodistas, ao invés de procurarem se conhecer uns aos outros, o faziam pela via indireta, ou seja, perguntavam uns aos outros como os outros eram. A coisa chegava ao ponto de um novo pastor, não vir diretamente a mim para me conhecer, mas ir perguntar para outros, como por exemplo a zeladora, quem eu era. E o incrível é que eles traçavam um perfil a nosso respeito a partir daí, e esse perfil crescia a ponto de não sermos mais conhecidos por nós mesmos, mas pelas fofocas que diziam a nosso respeito. Não é louco isso? Isso é Igreja? E esse é apenas um detalhe, eu teria muitos pra contar, claro que não vou fazê-lo aqui.

Mesmo assim, eu insisti muito, em orações e lágrimas, muitas vezes, enfim capitulei. Não era uma Igreja. Era uma “igreja”. Interessante a sua reflexão.

Paz e bem, e até um dia.

Maya disse...

Oi, Edemir, há qto tempo! Faz um mês, mais ou menos, fui à igreja metodista perto daqui de onde moro agora, e, apesar das simpatia de todos, confesso que senti falta dos hinos do hinário - havia um louvor estilo igreja batista da lagoinha. O sermão do pastor, também, centrado em "Deus vai te dar tudo o q vc pedir, Deus vai te dar vitórias na vida financeira etc." não me edificou. Hoje pensei em ir a uma igreja presbiteriana perto daqui, mas acabei não indo. Olha, pra ser bem sincera a igreja como instituição não me faz falta, apesar de eu reconhecer, novamente, que todo mundo lá era simpático, sorridente e agradável. Um abraço,

Edemir Antunes Filho disse...

Irmã Bete,

eu sugiro que você busque em Deus a força curadora para superar os traumas dos tempos de “igreja” e, na liberdade do Espírito Santo, experimente a vivência eclesial (não eclesiástica). Não se esqueça: é muito bom e importante que você se reúna com discípulos/as de Cristo. Se você se identifica com o Metodismo saiba que existem “cristãos/ãs metodistas” e “metodistas”. Isso acontece em vários lugares e, em alguns casos, a culpa é de uma liderança despreocupada com o discipulado. A minha oração é para que a chama do Evangelho volte a aquecer o seu coração e lhe impulsione a viver a Igreja.

Irmã Maya,

eu entendi que você está acostumada com um estilo de culto que contempla cânticos do hinário, além disso as pessoas (com seu sorriso, simpatia e agradabilidade) são menos importantes se comparadas à musica presente no Hinário Evangélico. Logo, “Igreja Institucional” é aquela que entoa canções no estilo da “Igreja Batista da Lagoinha” e a “Igreja de Fato” é aquela que canta hinos. Pois bem, como uma Analista do Discurso, você já percebeu que uma parte dos hinos possui substância e forma bastante adequadas à realidade neotestamentária, todavia outra é tão deplorável quanto os “mantras gospel” que se cantam por aí. O modelo de Igreja que eu ressalto nesta breve reflexão se respalda na vida de Jesus e na comunhão da Igreja primitiva. Sendo assim, não é a fórmula musical que define a “Instituição Religiosa Cristã” e a Igreja. Cristo e a vivência em torno do Evangelho são os aspectos mais importantes. Agora, quando você acusa uma prédica marcada pela ideologia da prosperidade isso se configura com uma demoníaca deturpação da Nova Vida proposta por Jesus. Eu sugiro que você se desvencilhe de tudo aquilo que lhe impede de viver o Evangelho e a Igreja e, como você tem experiência pentecostal, continue caminhando sob a inspiração, discernimento e força do Espírito Santo.

Irmãs Bete e Maya,

muito obrigado pela reação. Espero que continuemos crescendo juntos.

Graça, paz e bem!

Maya disse...

Obrigada, Edemir. Eu tenho mesmo essa visão de que a igreja que "canta hinos do hinário" é mais "espiritual", assim como prefiro usar saias e vestidos, pouca maquiagem etc., e talvez isso seja herança mais familiar que realmente cristã. Vou colocar isso em oração, pois na verdade tenho buscado uma igreja que se amolda a um modelo que talvez inexista nos dias de hoje. E não me agradeça por participar, é provável que a leitura de seu blog faça mais bem a mim que a você.

Um abraço,

Maya

Maya disse...

E, quanto à fofoca, acredite, acho que isso é endêmico nas igrejas evangélicas - em todas elas. Hoje simplesmente fico quieta, evito ouvir e falar.

Edemir Antunes Filho disse...

Maya,

estou muito contente. Voltamos a nos entender muito bem.

Felicidades!

Claudio Silva disse...

Olá amigo e irmão!!
Muita gentileza sua seus comentários.
Há muito também não entro em um edifício cristão com o intuíto de ir a igreja, mas no sentimento de Ser Igreja, embora meu querido, como é difícil chegar nestes locais e a oportunidade que se tem de comunhão é unicamente contemplar a nuca do irmão que está sentado a frente, pois no final da liturgia todos saem apressados.
No livro Cristianismo Pagão o autor menciona sobre o fato dos primeiros cristãos não irem a igreja, por entenderem que eles eram a Igreja viva e não poderiam ir a eles mesmos.
Que bom se a compreensão fosse essa, de que a Igreja não é fixa (templo, edifício) mas móvel (pessosas), indo a todo momento em muitas partes da sociedade (inclusive nos cultos em templos) amando e vivendo o que diz crer.
Seja sempre abençoado em suas iniciativas.Pois o que vc escreve me abençoa.
Graça e Paz!!
Claudio