sábado, 19 de julho de 2008

Veja com a lupa do Evangelho


Eu sou cristão, mas isso não inibe meus ímpetos de pesquisador e aventureiro. Esta última condição me levou a conhecer muitos guetos curiosos no meio “cristão”. Fui a cultos patrocinados pela ala conservadora, tradicional, ortodoxa, evangelical, liberal, carismática, ecumênica, católica, católica-carismática, pentecostal, neopentecostal e pós-pentecostal. Participei de reuniões de crianças, juvenis, jovens, adultos, casais, universitários, homens/mulheres de negócio, negros/as, indígenas, capitalistas de "Cristo", socialistas de "Cristo", sem-teto, cristãos/ãs alternativos/as, punks, metaleiros/as, góticos/as, skatistas, surfistas, sem-terra, judeus messiânicos, elites e excluídos/as de Jesus. Até aqui eu não fugi muito daquilo que é convencional.

Pois bem, experimentei as sextas-feiras da libertação, reuniões das células, noites da unção (do riso, do choro, do grito, do índio, do salto, do grude, do sapato de fogo, do “ei”, do suco, do dente de ouro, do sopro, da dança dos anjos, da lagartixa, dos quatro seres viventes, do piolho etc.), encontrão, encontros com Deus, fogueirinhas, noites da cura divina, vigílias, cultos no monte, convenção para quebra de maldições, encontros de regressão ao ventre materno, retiro espiritual durante três e sete dias, aulas de línguas estranhas, cultos da fogueira, rejeição de pactos demoníacos, cultos para receber o Batismo do Espírito Santo, ministração de técnicas para um louvor que dê resultados eficazes, noite de intercessão pelas cédulas de identidade, roupas e fotos de familiares, encontros para encontrar a cara-metade, campanhas para obter emprego, casamento, livramento, união familiar, jejuns (dias inteiros, meio dia, uma refeição, e jejuns de televisão, namoro, brincadeiras e esportes), votos de submissão, curas espirituais, marchas, reivindicação espiritual de localidades para Jesus, entre outras coisas que eu não consigo me lembrar.

Muitas destas “excentricidades” foram pagas por mim, porém durante um bom tempo (até 1997) quem patrocinava as minhas estripulias espirituais eram meus pais... É cada uma que a gente faz... Em meio a todos estes cultos, reuniões e experiências, apesar da sinceridade de tantos/as, algumas vezes eu me perguntei: Em qual lugar esconderam o Evangelho? Por que Jesus não está presente? O que fizeram com o Espírito Santo? A qual “deus” estão se referindo? Aquele que tem a sua vida radicalmente transformada por Jesus Cristo faz perguntas como estas... mas, nem sempre obtém as respostas. A vida de Cristo deve nos ajudar a filtrar tudo aquilo que lemos, ouvimos e experimentamos. Quem tem a lupa do Evangelho veja...

Graça, paz e bem!

6 comentários:

Mauricio Abreu de Carvalho disse...

Oi Edemir

Eu me identifiquei muito com seu texto.Também passei por variadas experiências na igreja evangélica. A expressão "nasci em berço evangélico" cabe muito bem na minha história.O bom em tudo isso é descobrir a beleza do Evangelho de Cristo que está acima de nossos condicionamentos humanos.
Um abração
Tomei a liberdade de postar seu texto no meu blog.

Maya disse...

Já ri muito com seu texto! A gente encontra cada uma... Também já passei por algumas dessas situações, e já pisei no sal, inclusive, na Igreja Universal (momento de desespero MODE ON). Espalhei sal na casa inteira, e infelizmente o máximo que eu consegui foi ferrugem em alguns objetos.

Hoje também me pergunto a mesma coisa que vc. Não desisti de me congregar, mas confesso que acabo protelando...

Rodrigo Felipe disse...

Graça e Paz
Pr Edemir
Eu já passei por muitas coisa do tipo, até piores, Só me preocupo com as pessoas q passam, e acham q estão tendo experiências com Deus.
Abraço!

Hideide Brito Torres disse...

Oi, gostei do texto! Inseri dois sermões no meu blog, porque ando tão corrida que acabei esquecendo dele. Passe por lá depois!
Um abraço

Felipe Fanuel disse...

Caro Edemir,

Parabéns pelas experiências plurais que você vivenciou! Lendo seu blog, a gente percebe que o famoso "reter o que é bom" é princípio de vida para você.

Um abraço.

Mayalu Felix disse...

Oi, Edemir,

Há um tempo perguntei a um pastor presbiteriano se o jejum de televisão, ou de outros hábitos (jejuns não-alimentares) era válido. Ele me respondeu que jejum era só de alimento, e que os outros não valiam. O que vc acha? Eu sempre fiz jejum de TV, por exemplo, mas depois dessa não me sentia mais "jejuando" de verdade, então parei.

Um abraço,

Maya