segunda-feira, 28 de maio de 2007

Refletindo sobre ateus-crentes-ciências-religiões-Bíblia-experiência-Jesus-Cristo-mentiras-verdades.

Muito mais do que assumir que existem linguagens e cosmovisões variadas por parte de ateus e crentes, é necessário compreender com profundidade quais são os lugares das ciências e das religiões e o que elas entendem por verdades. Quando isso se dá as acusações mútuas, os conflitos, as agressividades e as incompreensões de ambas as partes são amenizadas e podem cessar. Cada qual passa a respeitar o limite de cada um dos setores sociais e os indivíduos que os compõe, bem como são desafiados/as a aprenderem respeitosamente sobre as abordagens, os conceitos e as experiências do/a outro/a. Em havendo este convívio cordial entre as ciências e religiões é possível que ocorra uma interação salutar que redunde em contribuições e aprendizados recíprocos.

Cada qual possui os seus erros, os seus acertos, as suas mentiras, as suas verdades, os seus exageros, os seus reducionismos, os seus valores e as suas limitações. Como exemplo, isso se constata com a atual crise das ciências e das instituições religiosas. Hoje em dia é muito inadequado que grupos e indivíduos declarem: somos detentores do conhecimento pleno, a nossa verdade é a melhor ou a mais abarcadora. Tais assertivas arrogantes podem se dar, todavia não se sustentam.

Não há como desconsiderar que a superioridade de um setor sobre outro se dá, dentre várias maneiras, pela forma como ela lida com os poderes sócio-político-econômicos. Por exemplo, se eu sou religioso ou cientista e tenho acesso mais ou menos livre às formas e meios de poder, uma das estratégias que eu posso realizar é alcançar grupos de plausibilidade, investir em propagandas em meu favor, silenciar aqueles/as que de mim discordam, “esconder” as falhas do meu sistema, promover literaturas "oficiais" que atestem a minha verdade como absoluta, concreta e inquestionável. Cabe-nos reconhecer que todas as áreas do saber são frágeis, construídas, provisórias e possuem elementos objetivos e subjetivos. Possivelmente, por trás dos jogos das ciências e das religiões estão batalhando crenças diversas que querem se impor como inquestionáveis pelo fato de não conseguirem lidar com o fato de serem débeis diante da fugacidade de suas próprias conclusões e percepções.

Em meio a essa realidade simples-complexa, é preciso declarar que não somos os/as “sabe-tudo", mas sim nos apresentarmos como pessoas que pensam, questionam, têm dúvidas, têm crises, acreditam, desacreditam, deixam pensar sem medo e que têm maturidade suficiente para dizer que existe um "monte" de coisas que não sabemos. Para complicar um pouco... as relações humanas e as conseqüentes estruturações sociais se configuram em meio às mentiras, ideologias, paranóias, contradições, euforias, boas intenções, alegrias, entusiasmos e verdades. Entretanto, ninguém que vive e acredita apenas na forjada concretude social vai parar de viver pelo simples fato de conhecer a precariedade da vida. Assim sendo, as religiões, a Bíblia e os/as discípulos/as do Cristo ressurreto não escapam destas confusões todas.

Sob o prisma da fé em Jesus Cristo como Senhor, Salvador e Espírito que caminha conosco, o grande desafio é encontrar Deus em meio às mentiras, aos absurdos e às contradições. Trata-se de uma postura-ação subjetiva-objetiva individual-comunitária que ousa confiar e andar com Deus em meio a este turbilhão de con-fusões, dilemas, inconseqüências, mentiras, avarezas, falibilidades, atrações, desconhecimentos, contradições, isto é, o contexto social. Por conseguinte, para entender Deus nesta “encrenca” toda é necessário uma experiência individual e comunitária com Ele que nos capacitará a enxergá-lo em meio à complexidade do texto bíblico, da vida e de nós mesmos.

Por fim... quando notamos que a vida se desenvolve em meio às tensões humanas, as escolhas por viver o teísmo ou ateísmo se dão de uma maneira mais pacífica, amorosa, tranqüila e leve. Sem cair na tentação de “demonizar” o/a próximo/a. Sem ficar paranóico/a pelo fato do/a outro/a não entender o que estamos tentando transmitir.

Experiência... eis a grande diferença nas Ciências, nos/as ateus/atéias e na vida dos/as discípulos/as de Jesus Cristo. Experimente os experimentos e seja um/a experimentado/a experiente. Experimente Cristo como o Caminho, a Verdade e a Vida... depois você me conta.

Graça, paz e bem!

2 comentários:

Andrade disse...

Olá Edemir, gostei do blog, só tenho uma sugestão...tenta trabalhas as cores...elas estão fortes demais para leitura.Grande Abraço. Andrade

Josivan disse...
Este comentário foi removido pelo autor.