sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Evangelho: compartilhar a Vida

Eu fico incomodado com a compreensão de certos/as fiéis sobre o Evangelho. Independente de suas limitações – advindas dos contextos precários em que se inserem ou decorrentes de fragilidades particulares – tal apreensão das Boas Novas me aborrece. Estes/as “porta-vozes” pensam unicamente em Evangelho à semelhança do anúncio que se faz diante da chegada de uma Escola de Samba: eis a Boa Notícia aí gente!

Apesar dos determinismos marxistas, eu me valho de algumas concepções da dupla de estudiosos Bakhtin & Maingueneau para afirmar que o Evangelho como discurso é mais do que falatório, é mais do que silêncio ruidoso, é mais do que gesto, é mais do que conteúdo, é mais do que forma, é mais do que informações intra (linguagem, forma, tipologia discursiva) e extraverbais (a realidade material em que todos os segmentos sociais estão inseridos, a história, o contexto de um determinado grupo social, os/as interlocutores/as), é mais do que ideologia, é mais do que história, é mais do que cultura... é tudo isso e algo mais. Acrescento que este enunciado real possui um elemento diferenciador em relação a outros, a saber, o transcendente que se concretiza no cotidiano dos/as atuais discípulos/as de Cristo. Evangelho é a dádiva da Vida que deixa mais viva a interação entre o/a autor/a (enunciador/a), o/a leitor/a (interlocutor/a) e o/a herói (o que ou quem da fala). Conseqüentemente, é possível asseverar que o Evangelho é “dialógico”, “dialético” e “teológico”.

Em suma, o Evangelho ilumina e transforma as percepções e ações humanas. Estas ocorrências levam os/as cristãos/ãs a compartilharem a Boa Notícia com palavras, ações, silêncios e sentimentos em todas as suas interações. Desta maneira o fôlego de Vida re-anima a humanidade caída e enche de vitalidade a nossa vida-vidinha-vidona.

Graça, paz e bem!

Um comentário:

John England disse...
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